sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
O ponto no círculo
Despejo o conteúdo que tenho na boca. Fico com o ardor do alcool na língua e a frescura anunciada do produto aquando da sua passagem no écran de televisão.
... duas sombras passam por mim! Sinto novamente o eriçar do meu cabelo e o arrepio que se estende da cabeça ao fundo das minhas costas. Algo impele-me a mexer e a mexer rápido! Dou um salto para levantar-me, mas é tarde, sinto a imagem a inundar-me a mente e o medo a invadir-me as entranhas e agarrar-se com unhas e dentes à garganta. A velha aparece e sorri desdenhando o meu saber. Abre a boca sem dentes e os olhos escurecem-se enquanto levanta o dedo na minha direcção. Escarnece do meu saber como gozando com uma falsa determinação que me pertence. Sinto-a chamar-me impostor e rir. De queixo pronunciado olha-me e faz-me ver que o problema sou eu.
...
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
"Whereupon it ocurred me - so it is with everyone. (...) ,so it is with the majority of men day by day and hour by hour in their daily lives and affairs. Without really wanting to at all, they pay calls and carry on conversations, sit out their hours at desks and on office chairs; and it is all compulsory, mechanical and against the grain, and it could all be done or left undone just as well by machines; and indeed it is this never-ceasing machinery that prevents their being, like me, the critics of their own lives and recognizing the stupidity and shalowness, the hopeless tragedy and waste of the lives they lead, and the awfull ambiguity grinning over it all."
Herman Hesse, in Steppenwolf
Lembram-se da horde exasperada?
Corria mal como se cambaleasse,
Tinham sós as suas mãos e o ventre inchava!
Nunca os percebi bem!
Reparei que a fome integrava,
Parte da natureza do seu ser,
travava-lhes o orgulho e imitava-lhes o correr.
Eu? Eu ria-me alto e de boca aberta,
como se a fome fosse minha e deleitava-me!
Sobrava-me várias vezes riso,
mas não sabia bem o que pensar disso.
Ainda com os olhos prostrados neles,
cheirava a morte inundar o ar,
Penetrava-me o sabor acre e despia-me!
-Já chega de amar!! - diziam-me.
Eu ria, ria, como se a louça partisse,
Aquela horde exasperada nada tinha,
a não ser o cambalear e a fome,
tal qual vento que passa forte e depois some!
As Mãos?? As mãos pendiam-lhes.
Corria mal como se cambaleasse,
Tinham sós as suas mãos e o ventre inchava!
Nunca os percebi bem!
Reparei que a fome integrava,
Parte da natureza do seu ser,
travava-lhes o orgulho e imitava-lhes o correr.
Eu? Eu ria-me alto e de boca aberta,
como se a fome fosse minha e deleitava-me!
Sobrava-me várias vezes riso,
mas não sabia bem o que pensar disso.
Ainda com os olhos prostrados neles,
cheirava a morte inundar o ar,
Penetrava-me o sabor acre e despia-me!
-Já chega de amar!! - diziam-me.
Eu ria, ria, como se a louça partisse,
Aquela horde exasperada nada tinha,
a não ser o cambalear e a fome,
tal qual vento que passa forte e depois some!
As Mãos?? As mãos pendiam-lhes.
domingo, 14 de outubro de 2012
As lágrimas encheram-me os olhos até ao ponto em que não poderiam ser mais contidas pela inclinação da minha face para cima. Na garganta, tinha a impressão que algo perturbava o meu reflexo laríngeo e era esquisito tentar falar. M sorria e os seus olhos semi cerrados brilhavam. Caí no chão ajoelhando-me e colocando desajeitadamente as palmas das mãos contra o chão, evitando assim embater duramente com a minha face no solo, que apesar de ser de terra, se encontrava seco e duro como uma pedra de calçada. A luz começou a baloiçar sobre mim, ou então era eu que baloiçava e não sentia, enquanto as lágrimas pareciam fios de água de uma torneira mal fechada. Nesta altura M perguntou numa voz que se distorcia em ecos graves e lentos. - Onde está o teu corpo agora F? Onde está o teu amor, a tua certeza? - O seu sorriso alargou-se e no silêncio que se vinha impondo lentamente, os meus olhos fecharam-se e os meus braços cederam sobre um pequeno riso crescente.
- Morre agora meu querido! - Pensei ouvir dizer antes de cair violentamente no chão!
- Morre agora meu querido! - Pensei ouvir dizer antes de cair violentamente no chão!
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
- Não percebi!?
- O que não percebestes? - disse ele condescendente.
- Não entendi essa, do modo infinitamente ligado e convergente a um sistema universal de espíritos unidos.
- É simples, repara! O mundo desenvolve-se num conceito de expansão onde o homem prolifera sobre as outras espécies, condicionando-as e eliminando-as sistemáticamente. É um pouco como a Lei de Lavoisier, nada se perde, tudo se transforma. Deste modo o que estamos necessáriamente a fazer é algo muito semelhante. Transformamos gnósticamente o espírito universal, sem mesmo nos darmos conta, "recriando"... - Fez uma pausa - Não!... Não "recriando" - disse corrigindo-se, com alguma preocupação - "Reencarnando"! - Acrescentou, fazendo um claro ênfase na palavra - Sim, "reencarnado" a vida no universo espiritual do homem. Por isso observarmos hoje tanto ódio contra o homem, tanta raiva contida, tantos homens no mundo e o decréscimo natural de tudo o que o rodeia e que não pertence ao nicho ecológico direto do homem. Vivemos as almas dos animais que fomos, com toda a carga espiritual, ódio e amor que a transportou desde os tempos primordiais. Encontrar uma alma verdadeiramente velha neste mundo será deveras um prodígio imenso. Quer queiramos insitir que não estamos ligados, ou que estamos, é puramente uma questão retórica que nem pertence à dimensão da Realidade. O fato é que tudo está ligado e nada se perde ou perdeu, apenas se transformou espiritualmente.
Ela lançou a cabeça para trás como se tivesse ouvido uma piada e abriu a boca expirando uma gargalhada baixa.
- Olha F. - Disse com um sorriso malicioso nos lábios, ao mesmo tempo que estendia o seu braço e colocava a sua palma erguida na minha direção - Tudo o que tens, tudo o que sabes, tudo o que foste e serás, está aqui! - três segundos depois, cerrou o punho, levantou-se e bateu-me com ele na testa.
Franco Castelo
- O que não percebestes? - disse ele condescendente.
- Não entendi essa, do modo infinitamente ligado e convergente a um sistema universal de espíritos unidos.
- É simples, repara! O mundo desenvolve-se num conceito de expansão onde o homem prolifera sobre as outras espécies, condicionando-as e eliminando-as sistemáticamente. É um pouco como a Lei de Lavoisier, nada se perde, tudo se transforma. Deste modo o que estamos necessáriamente a fazer é algo muito semelhante. Transformamos gnósticamente o espírito universal, sem mesmo nos darmos conta, "recriando"... - Fez uma pausa - Não!... Não "recriando" - disse corrigindo-se, com alguma preocupação - "Reencarnando"! - Acrescentou, fazendo um claro ênfase na palavra - Sim, "reencarnado" a vida no universo espiritual do homem. Por isso observarmos hoje tanto ódio contra o homem, tanta raiva contida, tantos homens no mundo e o decréscimo natural de tudo o que o rodeia e que não pertence ao nicho ecológico direto do homem. Vivemos as almas dos animais que fomos, com toda a carga espiritual, ódio e amor que a transportou desde os tempos primordiais. Encontrar uma alma verdadeiramente velha neste mundo será deveras um prodígio imenso. Quer queiramos insitir que não estamos ligados, ou que estamos, é puramente uma questão retórica que nem pertence à dimensão da Realidade. O fato é que tudo está ligado e nada se perde ou perdeu, apenas se transformou espiritualmente.
Ela lançou a cabeça para trás como se tivesse ouvido uma piada e abriu a boca expirando uma gargalhada baixa.
- Olha F. - Disse com um sorriso malicioso nos lábios, ao mesmo tempo que estendia o seu braço e colocava a sua palma erguida na minha direção - Tudo o que tens, tudo o que sabes, tudo o que foste e serás, está aqui! - três segundos depois, cerrou o punho, levantou-se e bateu-me com ele na testa.
Franco Castelo
O ar caiu! O peso carregou-se sobre a cabeça e premiu os olhos ainda mais, fazendo com que a língua se expelisse contra os dentes e os pressionasse! À sua frente, M dançava, ia e voltava, fletia gentilmente os joelhos um de cada vez pronunciando o movimento da bacia e ao mesmo tempo cerrava os olhos direcionado-os para algures no escuro, precisamente no canto do lado esquerdo de F . O vestido ondulava com cada passo que dava e os ombros endireitavam-se, mostrando-me um peito que apesar de coberto se impunha e provocava-o. Ao rodar a cabeça parecia que a música a acariciava colocando mãos imaginárias no seu cabelo curto impelindo-a de forma enérgica a movimentar-se mais e mais provocadoramente.
Franco Castelo
Franco Castelo
quinta-feira, 12 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
O corpo que perdeu o tempo!
F. Colocou-se junto ao balcão, tirou a carteira do bolso de trás das suas calças e pousou-a à sua frente. Em cinco segundos o seu olhar caminha para a janela que espreita a luz que entra dentro do pequeno bar; Em dez segundos o som desesperante das vozes que o acompanhavam do ruído de fundo desaparecem; em quinze segundos só já consegue ouvir os estalos mecânicos dos botões da máquina do café,... depois silêncio; aos vinte segundos uma calma invade-lhe o corpo, seguida quase instantâneamente pelo destoar da côr de tudo o que vê; vinte e cinco segundos e tudo é preto e branco, continuando a destoar, mas desta vez mais para o preto, com pequenos pontos que parecem ser pirilampos ou o ínicio de um écran de televisão sem sinal; trinta segundos: F. Quer articular uma palavra, mas não consegue lembrar-se de como o fazer,... uma estranha sensação de alienação cresce-lhe no céu da boca e empurra-se-lhe garganta abaixo; Trinta e cinco segundos: tudo preto; Quarenta segundos e tudo preto; cinquenta segundos uma luz aparece; dois minutos: Tudo branco!!!!
domingo, 26 de fevereiro de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Solvo vos reputo, caecus nos animadverto.
Verpertina hora em que abraço o calor do dia. Olho a vaga que cresce e se levanta e em vez do calor exuberante, uma nova ordem sobrepõe-se gelando a cara, os olhos, a boca. No entanto sempre esteve ali! Desde que me lembro sempre a vi ali... Porquê agora gelar-me a face, os olhos e a boca!?
Anukin Findelbhert
Anukin Findelbhert
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Clingging to the rest the fallen herb stands,
whille woods scorched by the sun blight,
Whisper the battle in slow rising... slow!
And Herbs, like the flowers,fast to the Light,
Stretched out to the vice of a bloody glow.
Even forced or subdued, she bends,
But no break will come through.
There in the upper hill the fallen Herb stands!
Alone but full, crying rage to her foes.
whille woods scorched by the sun blight,
Whisper the battle in slow rising... slow!
And Herbs, like the flowers,fast to the Light,
Stretched out to the vice of a bloody glow.
Even forced or subdued, she bends,
But no break will come through.
There in the upper hill the fallen Herb stands!
Alone but full, crying rage to her foes.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Os HSA
Não deixa de ser interessante pensar que no meio de toda esta chuva de informações universais,as percepções ainda se dividam em "bons e maus". Reflectindo um pouco mais, parecem-me óbvias que as percepções que temos, são simplesmente isso, "percepções". O bom e o mau, visto sob uma luz cultural não é nada mais que a clara forma como observamos o mundo dentro de um contexto específico, que pressiona o homem que tem de viver. E para viver nos dias de hoje, a verdade toma a forma de lentes graduadas, que mediante a influência dos aspectos sócio-económicos a que dizem respeito ao indíviduo (primeiro) e para aqueles que estão com ele (segundo), transcrevem um universo mais nítido ou mais desfocado. É interessante pensar, que enquanto Nações se prendem em estéticas propagandísticas subjectivas, promovendo a superioridade moral e ética e a influência sobre outros povos e nações, outras partilham essa mesma estética de forma mais objectiva e ambas se censuram nesse mesmo campo. é interessante pensar que temos ocidentalizado um modo de reflectir o mundo, sobre um modo de percepção que se baseia numa sistémica hipocrisia social e política, que não tem nenhum outro objectivo que não o da psicose de massas.
"So do not blame people and their attitudes: the problem is not corruption or greed, the problem is the system that pushes you to be corrupt."
Slavoj Žižek at ocuppy Wall Street.
Anukin Findelbhert
"So do not blame people and their attitudes: the problem is not corruption or greed, the problem is the system that pushes you to be corrupt."
Slavoj Žižek at ocuppy Wall Street.
Anukin Findelbhert
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