quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sobre o que vemos

Todos os sistemas, ou estruturas que tendem para características orgânicas, parecem caminhar por sua vez para a autoregulação até à sua extinção. Julgo também, que a própria extinção de um sistema, ou estrutura, poderá certamente estar relacionada com um macrosistema, no qual essa mesma extinção, faça parte de um mecanismo de autoregulação. Não deixa de ser interessante pensar que independentemente do sistema, seja ele humano, social, político, tecnológico, geológico, económico, climatológico, ecológico, se dê ao luxo de criar para si própria uma consciência individual ou colectiva e empregue mecanismos de acção reacção. Deste modo, é incorrecto pensar, que é possível a dominância isolada de uma estrutura, mas que na improvável probabilidade de nos encontrarmos em face de tal contexto, ser muito provável que alguém nos esteja a enganar.

Gustavo Duarte

domingo, 7 de dezembro de 2008

... Mas afinal...

Convinha perceber a Realidade em que vivemos.
Convinha entender o quanto desta Realidade que te desenham é a tua realidade.

Convinha dizerem-nos e recordarem-nos, que eventualmente, deverão existir apenas duas grandes Verdades: O que sentimos e o que pensamos.
... Mas quanto do que pensamos não é o que sentimos e quanto do que sentimos não é o que pensamos.

Por isso, tomo consciência, desperto... Mas sei, que no fechar de olhos, Ela (a Realidade) olha para mim e eu,... não consigo tirar os olhos Dela!

Franco Castelo

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Jorg pousou o copo ainda quente com o leite e o café misturados. O calor do líquido subia em espirais suaves da boca do copo. Dava uma sensação de profunda calma. Mesmo assim, com alguma relutância e desconforto, ele elevou o braço e observou as horas - 10 minutos para chegar ao pé de Angel. Que porcaria... - baixou o braço e meteu a mão no bolso. Queria aproveitar os 20 segundos que tinha para sentir todo a envolvência do calor que escasso o impelia para fechar os olhos e respirar num suspiro o relaxe de estar vivo.

Franco Castelo

terça-feira, 25 de novembro de 2008

10'' para "Desaparecer/Morrer"

... O Grupo! O grupo desfeito, refeito, originado na simpatia de alguns, desbravou com a força de um carácter mitológicamente perdido a áurea " Laissez faire" dos poucos que se arrastavam . Rompi o meu umbigo e corri na falta de algo melhor. Bramei por Gaia e chorei as frustrações da Biosfera, para depois mergulhar na corrente amável de um colapso civilizacional.

... O Grupo!? O grupo morreu ali... Refeito e depois desfeito por mim.

Quem sou eu? Ulisses perdido no meio dos seios de Circe, Jupíter bocejando pelas ameias de Olímpia, um capote de Gogol, um passo de Armstrong, uma colher que levas à boca, um excremento comum, um rasgo de amor, uma lágrima de saudade, um grão de areia entre as unhas das tuas mãos, o vento que te levanta o cabelo, o mar que te cobre o corpo, o sonho que te preenche e um cesto roto.

Sou... o grupo que desfeito e refeito, acabou por morrer ali! Refeito e depois desfeito por mim.

Franco Castelo

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sobre Arte...

"Sinto antes de pensar".

Jean Jacques Rousseau

Parece haver mais do que que uma celebração da Liberdade Humana. É a verdadeira condição natural de percepcionar o mundo e permanecer na valorização da contemplação. Não verbalizá-lo... apenas contemplar.

Gustavo Duarte

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Os surdos!!

Eles ouvem, mas na verdade não querem ouvir...
Eles querem fazer,
Muito para mostrar!
Pouco para ajudar realmente!
E eles ouvem , mas na verdade não querem ouvir.

Eles mostram números, mas não mostram pessoas,
Eles mostram determinação, mas não passa de arrogância,
Eles dizem saber o que é melhor, mas como?
Ah!! Já sei!!!
A "DemoCracia" já não existe,
Dá a vez à "DéspoCracia",
Mas na verdade, (eles) chamam-lhe democracia.


Nunca em tão pouco tempo, tão poucos, se acharam de forma tão grotesca, melhores que o povo.


Anukin Findelbhert

domingo, 26 de outubro de 2008

SEKAI

"Em casos isolados e raros, pode realmente existir uma tal vontade de verdade, um ânimo dissoluto e aventureiro, uma obstinação metafísica que se agarra a um lugar perdido e que, por fim, prefere uma mão-cheia de «certezas» a um pleno atrevimento cheio de belas possibilidades; podem mesmo existir puritanos fanáticos da consciência que preferem entregar-se a um nada seguro do que morrer por qualquer coisa de incerto."

Nietzsche F. in Para além do Bem e do Mal

sábado, 18 de outubro de 2008

Estava eu a andar de carro, quando ouvi pelo rádio a seguinte notícia:

"Os presidentes da Comissão Europeia e dos Estados Unidos, José Manuel Durão Barroso e George W. Bush, reunir-se-ão ainda hoje em Camp David, em cima da mesa estará a crise económica mundial."

Bom... constatando isto eu pensei:

Se a crise económica está sobre a mesa daqueles dois quer dizer, que nada de pão, nada de vinho, talvez com sorte irão dividir uma sardinha entre os dois!!!

Gustavo Duarte

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Um chinelo na cabeça III

O homem.

O Homem vive no seu pequeno mundo de servilência, prontidão, escravidão a seu bel prazer. Oh! Como seria bom ter aquilo que deseja, as mulheres que olha na rua, os corpos que desfilam à sua frente, a comida que aprecia, os amigos com que convive, a casa com que sonha, o trabalho que o preenche, o salário que o enriquece e...

O homem, não deixa de pensar como seria bom tudo isto. Mesmo no tempo em que está sentado no sofá a ver televisao com o comando na mão, continuamente lhe vêm à cabeça os mesmos pensamentos. A vontade, transforma-se num desejo insuportável de posse incontrolável, de insatisfação desmedida e depois?

O homem persegue aquilo que conscientemente ou não o preenche, ou então mais hilariante ainda, o ajuda a preencher, ou então o mais patético, o que lhe dá a percepção de possivelmente vir a preencher um dia...


Esquece-se, de que um dia há-de morrer!


Anukin Findelbhert

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Acordem!!!!

Os sistemas estão a resultar e a máquina continua andar!
Ela rola como se justificando que muitos não merecem o que poucos pensam, ela atropela uns poucos...muitos,...(tanto faz) só para, a gritar, mostrar a beleza e o brilho da sua Fantástica Competência.

Quem são esses poucos? Quem são esses muitos? (Tanto faz) Será que é o senhor que escudado, ou não, por uns óculos intelectuais, por um fato impecável, por uma conversa cuidada e floreada, por um sorriso estagnado e que dentro do seu Mercedes (trocado a seis meses para renovação de frota) nos acena, sobe as escadas de um edificio a que chamou parlamento? Oh que imagem!!! Eleva-se-lhe a alma, no mais profundo sentimento de dever cumprido e de rabo aquecido aparece, orgulhoso da sua escolha nobre, de decidir o futuro de uma nação. Ri-se para os que no seu pensamento, não percebem nada do que faz, ... mas enche-se de compaixão, bendito seja!!!!

Demos vivas aO Reino do politkismo!!!!

URRAA!!!

Deixem-se cegar pela caixa que vos enche os desejos. Abram os ouvidos quando vos quiserem atirar com ignorância retórica, abram os braços quando vos lhes estenderem as mãos. Gostem do que verdadeiramente não gostam e embriaguem-se com a morte em vida!


Anukin Findelbhert

sábado, 14 de junho de 2008

"De certa forma, a arte é uma teoria sobre o modo como os seres humanos vêem o mundo."

James Gleick, in Caos - A Construção de uma nova ciência.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Segundo alguns evolucionistas, todas as populações tem o seu apogeu e a sua queda. Esta pode ser derivada de fenómenos naturais, tais como vírus, predadores naturais, esgotamento das reservas de subsistência.
A variação das populações, apesar de dificil predição, é comum num aspecto: "Toda a população terá a sua queda, é apenas uma questao de de tempo. O que nós não sabemos por vezes muito bem, é determinar quando isso acontecerá". Deverão existir sinais prévios, obviamente: uma estabilização do crescimento da mesma, uma diminuição dos recursos disponíveis, uma diminuição na reprodução da espécie dessa população, entre outros, mas quando chegar a esse ponto, é porque a mesma (queda) já está a acontecer.

O João, estava à 4 horas à espera de ouvir alguma notícia. A Alice entrou no Hospital eram 4.20 sensivelmente. As mãos suavam-lhe, e o coração parecia bater mais frequentemente que o normal sempre que a porta do serviço da maternidade que dava para a sala de espera se abria e deixava entrar uma enfermeira. Estava impaciente com a espera, frustrado. Os olhos reviravam -se nas órbitras e os dedos subiam para limpar o suor que lhe teimava em subir à testa.

Lá fora o mundo ardia...

Lá fora o homem perdia a sua batalha.

Alice, deu à luz uma linda menina! No momento em que que a enfermeira procurava chamar o pai, Afonso, um dos médicos obstetras que tinha entrado para o serviço naquela madrugada, olhava para fora de uma janela e observava o nascimento de um novo dia. A luz parecia ter dificuldades em ganhar a batalha à escuridão. Dois dias antes, num ataque de fúria que foi notícia de primeira página dos Jornais do dia seguinte, Pedro Samir, um cidadão luso-marroquino descarregou a velha Luger de 9 mm, do seu falecido pai, em cinco transeuntes que se encontravam a descer a rua Y. Depois de acabadas as balas, no meio de um contexto fantástico de gritos de pânico, de pessoas a correrem, empurrando-se selvaticamente e abrigando-se nos mais estúpidos abrigos possíveis, Afonso, ficou petrificado no sítio onde se encontrava. As imagens pareciam ter-lhe inundado o cérebro de forma tão descontrolada, que lhe davam a noção de se encontrar a ver um filme que perdeu completamente a sua ordem e sequência. Imagens do que já tinha ocorrido enchiam-lhe a a imaginação e de repente saltava para dois momentos mais à frente onde uma corrente espessa de sangue irrompia no espaço sobre os seus olhos, seguida de uma constelação de pequenas gotas do mesmo líquido que se vaporizava no ar à sua frente, numa belíssima névoa vermelha. Um corpo caia inconsciente, outro gritava horrorizado pela perda de metade do seu maxilar inferior, de uma forma, que não podia ser humana! De repente, estava novamente atrás do homem que mais tarde veio a saber ser Pedro Samir.
Os olhos viraram-se e encontraram os seus. Samir sorria levemente! Com uns olhos cheios de ternura acenou com a cabeça como se quisesse dizer "olá" e de seguida, olhou para cima e cerrou os olhos, como se apreciasse o sol de verão que nos bate na face. Ainda de olhos fechados disse suavemente:

- O mundo arde! O mundo arde, irmão!


Gustavo Duarte

Os convencidos

Um dia, quando já estiver farto daqueles que o dizem e se fecham no seu mais primitivo ser, olharei em vão e responderei sem palavras,... como o vento que se arrasta na lua e brilha intensamente no nosso coração. Aí veremos o cão. Veremos esse e o que pouco houver.

Estamos cheios de insignificância, deprimidos com a dureza de chamarem liberdade a uma palavra e democracia a um modo de viver.

Anukin Findelbhert

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sobre a violência de um silêncio absoluto, eu olhei para os olhos dela!...

Perdi-me a meio,... numa viagem a itália, pelos canais, pelo sabor do queijo que do ar aterra com facilidade na nossa boca, de um sorriso perdido na rua, de um comerciante que instiga mais do que o simples desagrado de ser incomodado somente para vender duas peças de fruta, do sol que tarde se vai pondo e iluminando os bairros e as paredes brancas com aquela nuance laranja esbatida na nossa pele e na roupa que trazemos... Aquela saia branca, leve, que brincando com a brisa tardia fazia-me sonhar com o teu corpo.

- Estamos quase lá! - A voz ressoa na minha cabeça e as imagens continuam a projectar-se, cada vez e cada vez mais nítidas.

A Piazza Michelangelo! A ponte Vechio! Il Duomo! O Arno! A Basílica de San Miniato e as vozes de fundo dos monges ensaiando os seus salmos num canto gregoriano que nos embala a imaginação.


Sem retirar os olhos dos meus, ela aproxima os lábios da minha boca, levanta a mão e com um breve toque nos meus lábios fecha-me os olhos. Os dedos perderam-se em contornos infintos, o prazer inunda-me a face e espalha-se pelo corpo como um arrepio doce. O perfume das suas mãos invade-me e embriaga o meu desejo e quando espero pelo meu beijo,... Abro os olhos!!!

... O silêncio continua,... impiedoso, severo e violento!

Franco Castelo

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Sasha...

Outono Leve,
O Castanho comprime-se à volta,
... esconde as palavras de revolta!

Amanhece, Escurece,
e o doce castanho vai caindo,...leve!

Franco Castelo 5-5-2008

segunda-feira, 28 de abril de 2008

" - O Mundo é gerido por um milhão de homens maus, dez milhões de homens estúpidos e cem milhões de covardes - pronunciou-se Abdul Ghani (...) "

Gregory David Roberts, in Shantaram (2007)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Os olhos sobressaiam-lhe na face e a ruborização de raiva intensificava-se. Ele emitia pequenos sons surdos e graves como se rangesse os dentes de fúria. A agressividade era tal, que a boca ficava-lhe torta e o tronco pronunciava uma corcunda lenta que pouco a pouco se desenvolvia numa contracção em agonia de todos os músculos do corpo. As mãos estavam cerradas e tremiam-lhe cada vez mais. Podia ver mesmo um pequeno descontrolo salivar na sua boca. Ele ardia! Ele ardia num descontrolo brutal!!!

A sua mão agarrou o primeiro objecto que tocou e num grito ensurdecedor de dor e libertação, ele descreveu um cículo no ar,... O primeira corpo que recebeu o golpe desfez-se de uma maneira patéticamente frágil: a cabeça parececia explodir com o impacto, enquanto um som abafado e quebrado libertava-se no ar. As pernas cederam e o tronco acompanhou o resto do movimento direccionado pelo impacto... Parecia um estúpido boneco de trapo! Noutras circunstâncias, talvez fosse capaz de rir, mas neste momento, podia ouvir o meu coração e ao mesmo tempo sentir uma desconfortável pressão nos meus intestinos. Sem fazer qualquer esforço, estava quase a suar e a minha respiração prestes a ficar ofegante!

... De seguida, levantei-me e desliguei a televisão. Aquele filme ficaria para outro dia...

Franco Castelo

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Sentado, ...

D. José, pegou na xícara de café. O perfume invadiu o ar. Num gesto solene levou-a à boca e numa pequena acção sorvedora, espalhou as primeiras gotas do líquido quente sobre a boca. Distribuiu-o da forma mais homogénea possível. Fixou o olhar na janela, expirou lentamente pelo nariz e mastigou duas vezes. Com um discreto e pequeno reflexo oral, sentiu a libertação de todos os odores e todos os sabores. A têmperatura foi o que o mais surpreendeu, seguido de um arrefecimento e um nuance amargo abaunilhado. O gosto queimado veio depois o que acetinou a introdução para um chocolate negro mais pronunciado... Por fim, a verdade do seu sabor revela-se. O olhar então desvia-se da janela e prende-se na xícara.

Gustavo Duarte

Ser como o Vento e amar como o Mar

Cheira... Cheira esse ar, salgado, fresco, que te entra pelos pulmões e tarda-se na tua boca enquanto o saboreias! Cheira... Cheira as ondas a bater contra o paredão, a humidade a espalhar-se pelo ar!... Cheira..., Cheira o som das milhares de gotas que caiem sobre o chão onde estás. Cheira o céu azul, as duas nuvens que se estendem brancas e o sol que se estende na tua pele. A areia sobre a rocha, o vento que a transporta. Cheira! Cheira a vida que te preenche e que morre no teu corpo! Cheira o novo e o velho em ti.

Franco Castelo

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Ser... (novamente)

Ser comovente e amar como amar!

Franco Castelo

Ser...

Ser como o Vento e Amar como o Mar!

Franco Castelo

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Se te encontrares com Arte, mata a Arte!

Gustavo

(Associado a um conhecido Koan na doutrina Zen)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Ser Arte, ... ou haver Arte?

There really is no such thing as Art. There are only artists.

E. H. Gombrich, in The Story of Art

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Vê, onde não parece que se veja nada.

Este foi um dos momentos mais bonitos que vivi. É estranho pensar a capacidade, que palavras dispostas numa determinada forma conseguem fazer exercer tal poder sobre o espírito humano,... e ao mesmo tempo, perceber que o mundo se enche destas pérolas que nos rodeiam a todos os momentos.

"Está ali dizia um velho... Ali!! E o sorriso envadia-lhe a face"

Como é dificil percepcionar o que é simples, como é dificil olhar as coisas de uma maneira diferente da normal,...

Diogo era um rapaz com problemas,...
O Pai era toxicodependente, morreu com uma overdose no dia em que a avó faleceu. Morreu de desgosto diziam alguns dos velhos do bairro referindo-se ao malfadado filho. A Mãe, não aguentou o episódio e caiu na mais profunda depressão. Passado um mês a mãe faz a primeira de várias tentativas de suícidio que culminaria no sucesso de uma derradeira tarde. Dois dias antes do aniversário do filho,... Diogo. Diogo!... Diogo, esse nome sussurado várias vezes talvez, por bocas moribundas, por vozes que se sumiam nas últimas exalações de um corpo cansado, triste, apagado,... Diogo...

Gustavo Duarte