segunda-feira, 9 de junho de 2008

Segundo alguns evolucionistas, todas as populações tem o seu apogeu e a sua queda. Esta pode ser derivada de fenómenos naturais, tais como vírus, predadores naturais, esgotamento das reservas de subsistência.
A variação das populações, apesar de dificil predição, é comum num aspecto: "Toda a população terá a sua queda, é apenas uma questao de de tempo. O que nós não sabemos por vezes muito bem, é determinar quando isso acontecerá". Deverão existir sinais prévios, obviamente: uma estabilização do crescimento da mesma, uma diminuição dos recursos disponíveis, uma diminuição na reprodução da espécie dessa população, entre outros, mas quando chegar a esse ponto, é porque a mesma (queda) já está a acontecer.

O João, estava à 4 horas à espera de ouvir alguma notícia. A Alice entrou no Hospital eram 4.20 sensivelmente. As mãos suavam-lhe, e o coração parecia bater mais frequentemente que o normal sempre que a porta do serviço da maternidade que dava para a sala de espera se abria e deixava entrar uma enfermeira. Estava impaciente com a espera, frustrado. Os olhos reviravam -se nas órbitras e os dedos subiam para limpar o suor que lhe teimava em subir à testa.

Lá fora o mundo ardia...

Lá fora o homem perdia a sua batalha.

Alice, deu à luz uma linda menina! No momento em que que a enfermeira procurava chamar o pai, Afonso, um dos médicos obstetras que tinha entrado para o serviço naquela madrugada, olhava para fora de uma janela e observava o nascimento de um novo dia. A luz parecia ter dificuldades em ganhar a batalha à escuridão. Dois dias antes, num ataque de fúria que foi notícia de primeira página dos Jornais do dia seguinte, Pedro Samir, um cidadão luso-marroquino descarregou a velha Luger de 9 mm, do seu falecido pai, em cinco transeuntes que se encontravam a descer a rua Y. Depois de acabadas as balas, no meio de um contexto fantástico de gritos de pânico, de pessoas a correrem, empurrando-se selvaticamente e abrigando-se nos mais estúpidos abrigos possíveis, Afonso, ficou petrificado no sítio onde se encontrava. As imagens pareciam ter-lhe inundado o cérebro de forma tão descontrolada, que lhe davam a noção de se encontrar a ver um filme que perdeu completamente a sua ordem e sequência. Imagens do que já tinha ocorrido enchiam-lhe a a imaginação e de repente saltava para dois momentos mais à frente onde uma corrente espessa de sangue irrompia no espaço sobre os seus olhos, seguida de uma constelação de pequenas gotas do mesmo líquido que se vaporizava no ar à sua frente, numa belíssima névoa vermelha. Um corpo caia inconsciente, outro gritava horrorizado pela perda de metade do seu maxilar inferior, de uma forma, que não podia ser humana! De repente, estava novamente atrás do homem que mais tarde veio a saber ser Pedro Samir.
Os olhos viraram-se e encontraram os seus. Samir sorria levemente! Com uns olhos cheios de ternura acenou com a cabeça como se quisesse dizer "olá" e de seguida, olhou para cima e cerrou os olhos, como se apreciasse o sol de verão que nos bate na face. Ainda de olhos fechados disse suavemente:

- O mundo arde! O mundo arde, irmão!


Gustavo Duarte

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