sábado, 18 de abril de 2009

Os sonhos transparecem pequenos vestígios, pequenas visões da realidade. Os sonhos perseguem e quando não há mais sonhos a calma vem e assenta no silêncio que se estende por um corpo cansado de mágoas, de dor, de injustiça e frustração. O homem, feito para amar morre e nos resquícios do que outrora fora um sonho, surge o homem feito para odiar.

Ele lembra-se do cheiro doce do óleo que entrava pelas narinas e do gosto áspero que lhe dava na garganta. Ele sentia-lhe o toque frio e a sensação de se adaptar perfeitamente à palma da sua mão. Ele sentia-lhe o gozo, o poder, a força, a coragem que lhe nasciam dentro de um peito mirrado por demais injúrias, mas que agora, expandido para a frente lhes mostrava o orgulho, a determinação de ser quem era, de fazer o que seria capaz de fazer. Ele olhava admirado, satisfeito, … horrorizado.

Colocou o cano na cabeça e disparou!... Um som rápido ensurdecedor estalou junto ao seu ouvido direito, uma força impulsionou a sua cabeça para o lado esquerdo e a sensação rápida de um líquido a escorrer, seguido de uma fracção de segundo depois de imediato silêncio.

- Que porcaria! Sujei tudo!...


Franco Castelo