domingo, 25 de outubro de 2009

Irya,

Vagueia sobre o alcatrão da vida e vence o medo sobre o andar ritmado, simpático. Corre na sombra de ver o mar de gente que não te dá a vida que procuras. Responde torto porque o freio do sonho perdeu-se na altura que te levantaste. Caíste, mexeste-te, gemeste! Apoiaste os braços no chão enquanto a perna fracturada pela ordem e pela justiça de hoje estagnava no momento de dor. A esperança virou-se com os teus olhos na escuridão do céu de outubro.
- Rasga! Rompe! Por vezes é preferível deixar a perna e seguir com o resto do corpo. O que temos perdeu-se. Não será melhor cortar a podridão e recomeçar de novo? Não são os principiantes que ganham ao oferecer a melhor potencialidade enquanto os sábios se perdem por serem limitados?


Anukin Findelbhert
"O único Zen que vais encontrar no topo das montanhas é o Zen que levares para lá."

Robert M. Pirsig

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Em dia de chuva trouxe um cesto...



E quando os olhos se fecham!? Deixamos de sentir?

O mundo que percepcionamos, este mesmo onde o velho morre e além uma nova criança surge como por milagre.
Este mundo onde trabalhamos por ter, quando já nos temos por princípio,
Este, em que nos deitamos em lençóis quentes ou simplesmente na terra fria; onde comemos uma refeição quente, ou algo duro e bolorento, dependendo do lado em que nos encontramos!

Este grande Pequeno, este sonho breve e longo!

e no meio de um passeio qualquer paramos, fechamos os olhos e ouvimos,

Ouvimos, as folhas de outono e o sopro que as agita.
Ouvimos as gotas sobre os troncos e aspiramos o perfume que se eleva da terra ao abraçar a chuva.

e no meio de uma qualquer floresta paramos, fechamos os olhos e sentimos...

Este Grande pequeno, este sonho longo e Breve.



Franco Castelo

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Rumamos devagar sobre um mar de visões que abraçam o nosso desejo,

Somos empurrados e impulsionados por um vento que nos quer dizer quem somos,

... e quem somos nós? Fácil,... fácil.

Somos aquilo que nos mostram,
E do que nos mostram, somos(tentamos ser) aquilo que gostariamos de ser!

e quem somos nós novamente?

O que nos acontece quando percebemos que o mar de visões não completa o nosso desejo?

Quando percebemos que o vento que nos empurra e impulsiona, não é para dizer quem somos!?


Anukin Findelbhert

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sobre a Humildade.

Em determinados momentos parecemos mais pequenos do que a grandeza a que aspiramos e que subtilmente, nos tempos que suspiramos, tende em atingir-nos. Aquando um sentimento de felicidade irrompe em nós, as falhas aparecem tal qual um aguaceiro que não esperávamos que ocorresse, depois de sentir o começo de um dia tão bonito que prometia sol e aventura em t-shirt e calções. Agora, apodera-se de nós esta sensação de falhanço total, de tentarmos ser quem queríamos ser. Somos iguais a todos os outros...Falhamos redondamente, e enganamo-nos a nós próprios. Talvez essa mesma sensação de engano seja a pior. Sentimos-nos dissociados de alguém que habitando o nosso corpo tende a dizer e a fazer coisas que fazem arrepender-nos num momento posterior.

Somos parvos e a nossa natureza está cheia dessa característica.


- Arrependi-me da construção arquitectónica literária que dominava há bem pouco tempo.

- Isso é normal – disse ela. – Não ficamos quietos em termos de consciência, quem te disse que o estilo dos vários artistas se mantém estanque ao longo do tempo?

- Isso é demais... não me considero artista...

- Sabes a tua humildade é enjoativa. – cortou ela. – Enches-me de um profundo desgosto em teimar em cultivar um traço de personalidade que me mete literalmente nojo. Já reparaste bem, ou mesmo ponderaste se isso não te está antes a atrasar!? Não será apenas uma desculpa para não fazer melhor.

- Não estás a entender... – disse ele ligeiramente irritado. – É óbvio que quero evoluir, mas preciso de viver isto sobre uma perspectiva diferente, mais intimista, mais espiritual!

- Fantoche!! ... e fantochada. Estás a dar uma palmadinha nas costas a ti mesmo, tal como o menino mimado é acariciado na cabeça pela mãe depois de não ter acabado uma qualquer tarefa por simples pretensão e acusando o ambiente externo que não controla como a causa dos seus problemas. É Patético o que estás a fazer.

- Fico sem palavras para argumentar... eu penso que temos uma ideia de percepção sobre a situação diferente, Diana! Não considero que deva ter pouca humildade e penso igualmente que o que falta neste meio é um maior comprometimento com o facto de tentarmos ser melhores pessoas sendo sinceros connosco mesmo, mas também cultivando alguma humildade,... senão... como evoluir? – O Tom da sua voz saia, apontando alguma desilusão, mas foi adquirindo uma forma mais solene à medida que acabava o que queria dizer, como se quisesse transmitir uma grande conclusão.

- Olha! G.. Não quis de todo magoar-te, mas acho que é necessário seres chocado, abanado um pouco... – Fez uma pausa e com um pequeno movimento de cabeça desviou os seus olhos para de seguida com uma maior determinação, os voltar a colocar sobre os dele. – Aliás que se foda essa merda de não querer que sejas magoado! Acho que devias sair magoado desta história. Há uma coisa que eu acho que se tem de aplicar aos indivíduos de hoje em dia. Principalmente aqueles que querem ser, ou têm a pretensão de serem artistas. É necessária arrogância, é necessária a confiância que daí advém. O acreditar que aquilo que fazemos é bom e vale o investimento. Senão quem vais tu convencer que aquilo que fazes é bom?


Ele agarrou-lhe a mão e de uma forma impetuosa puxou-a para junto de si. Havia uma tensão no ar. Ele sabia que o o próximo passo seria uma agressão verbal mais profunda, onde daí até um momento mais dramático em que cada um deles acabaria por dizer coisas que não queria, seria apenas uma questão de segundos.
Os olhos de ambos cruzaram-se. A face dela ruborizou-se a princípio, mas de seguida retomou uma expressão mais amena, e pouco a pouco mais desafiante. Ele sabia o que tinha de fazer.


Com a mão livre, subiu apoderou-se do braço esquerdo e subiu lentamente até ao ombro, enquanto aproximava a sua face da dela. Do ombro para o pescoço foi tudo muito rápido. Quando deu por si os seus labios já estavam juntos dos de Diana, os olhos cerrados e a pressão do seu abraço aumentou à medida que se deixava deslizar naquele beijo que se prolongava num movimento de cabeça meloso e lento que permitia descobrir todo o sabor da pele macia dos seus lábios e da sua língua. Pouco tempo depois afastou-se lentamente, permanecendo a pouco mais da distância de dois dedos e olhou-a nos olhos.

Numa voz baixa, quase num sussurro disse:

- Não concordo contigo!!


Franco Castelo

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"And what good would it have done Lazarus to be awoken from the dead if in the end he must die anyway?"

Soren Kierkegard, in The Sickness unto Death

terça-feira, 12 de maio de 2009

Um chinelo na cabeça ... e uma arma na mão.

Que um homem de 20 anos volte (se o fizer) um homem de 80, sem mãos, sem pés, sem boca, sem pernas ou braços, sem vontade de rir e sem saber o que é!

Vá-se saber porque 100 anos ainda não nos serviram para evoluirmos social, ética e moralmente.

Gustavo Duarte

quinta-feira, 7 de maio de 2009





Uma alegoria musical que tive a felicidade de descobrir num destes dias. Um bom exemplo, na minha opinião, de uma Fusão World Music bem actualizada e uma surpresa Turca Fantástica. Extremamente bem elaborado, não só em termos de imagem, mas também na sua sonoridade. O hip hop tem a felicidade de enriquecer o impacto musical sobre o ouvinte, o que nos empurra para a fácil alucinação de um ambiente ricamente oriental. São poucas para mim, as músicas que nos deixam com a sensação de percorrer as ruas de uma cidade, o seu porto e os seus barcos, as suas casas de fumo e chá.

Gustavo Duarte

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ramudha

Samuel Barber, Adagio for Strings, op.11

http://www.youtube.com/watch?v=KkObnNQCMtM&feature=related

Um nascer do novo dia,
Um abraço, um rosto, uma mão que se liberta dos dedos que agarra,
Um olhar vago que se perde na luz que sobe em pantomima estíval!

Sentir! Sentir este Calor tão alto, tão forte tão presente na pele,
Sentir a determinação que cresce raiada em pálpebras semi-cerradas,
Sentir o Medo e a Alegria, sentir, sentir, sentir tudo, tudo Tudo!

Rayan Dühr
"Each of Aquinas' five ways to God takes as its starting point truths that we can establish only by observing nature; they reveal God not in His self-suficient, self referring perfection, but in His relation to creation (...)"

Leszek Kolakowski, in Why is there something rather than nothing?

sábado, 18 de abril de 2009

Os sonhos transparecem pequenos vestígios, pequenas visões da realidade. Os sonhos perseguem e quando não há mais sonhos a calma vem e assenta no silêncio que se estende por um corpo cansado de mágoas, de dor, de injustiça e frustração. O homem, feito para amar morre e nos resquícios do que outrora fora um sonho, surge o homem feito para odiar.

Ele lembra-se do cheiro doce do óleo que entrava pelas narinas e do gosto áspero que lhe dava na garganta. Ele sentia-lhe o toque frio e a sensação de se adaptar perfeitamente à palma da sua mão. Ele sentia-lhe o gozo, o poder, a força, a coragem que lhe nasciam dentro de um peito mirrado por demais injúrias, mas que agora, expandido para a frente lhes mostrava o orgulho, a determinação de ser quem era, de fazer o que seria capaz de fazer. Ele olhava admirado, satisfeito, … horrorizado.

Colocou o cano na cabeça e disparou!... Um som rápido ensurdecedor estalou junto ao seu ouvido direito, uma força impulsionou a sua cabeça para o lado esquerdo e a sensação rápida de um líquido a escorrer, seguido de uma fracção de segundo depois de imediato silêncio.

- Que porcaria! Sujei tudo!...


Franco Castelo

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sobre a Morte...


Wagner - Ring der Nibelung - Götterdämmerung, a Morte de Siegefried.

http://www.youtube.com/watch?v=DrZXEky58Js&feature=related

Parece-me que poucos souberam celebrar a morte de uma forma sonora tão engrandecedora e ao mesmo tempo tão verdadeiramente próxima do sentimento trágico que no momento se apodera das duas percepções existentes sobre tal contexto: Quem morre e Quem assiste. A variação de sentimentos sobre as notas musicais é superba.

Gustavo Duarte

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um dia mais...

Chegámos e lentamente caminhámos de encontro à falésia que descia majestosa à nossa frente.
O sol raiava a primeira luz do horizonte e o mar crescia estrelado e estendia-se à nossa frente,
O vento subia e queimava com o frio a nossa face, enquanto as sabinas resistiam no seu sopro.

Um dia! Um dia mais na conta final da nossa vida e o milagre é aquele que vemos, aquele que sentimos - E quem nos disse? - Ninguém, nem os nossos Pais, nem as nossas Mães, irmãos, irmãs, ou mesmo a sabedoria dos nossos Avós. Um dia! Um dia o nosso Coração acorda e choramos...

Franco Castelo