terça-feira, 27 de março de 2012

O corpo que perdeu o tempo!

F. Colocou-se junto ao balcão, tirou a carteira do bolso de trás das suas calças e pousou-a à sua frente. Em cinco segundos o seu olhar caminha para a janela que espreita a luz que entra dentro do pequeno bar; Em dez segundos o som desesperante das vozes que o acompanhavam do ruído de fundo desaparecem; em quinze segundos só já consegue ouvir os estalos mecânicos dos botões da máquina do café,... depois silêncio; aos vinte segundos uma calma invade-lhe o corpo, seguida quase instantâneamente pelo destoar da côr de tudo o que vê; vinte e cinco segundos e tudo é preto e branco, continuando a destoar, mas desta vez mais para o preto, com pequenos pontos que parecem ser pirilampos ou o ínicio de um écran de televisão sem sinal; trinta segundos: F. Quer articular uma palavra, mas não consegue lembrar-se de como o fazer,... uma estranha sensação de alienação cresce-lhe no céu da boca e empurra-se-lhe garganta abaixo; Trinta e cinco segundos: tudo preto; Quarenta segundos e tudo preto; cinquenta segundos uma luz aparece; dois minutos: Tudo branco!!!!

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