As lágrimas encheram-me os olhos até ao ponto em que não poderiam ser mais contidas pela inclinação da minha face para cima. Na garganta, tinha a impressão que algo perturbava o meu reflexo laríngeo e era esquisito tentar falar. M sorria e os seus olhos semi cerrados brilhavam. Caí no chão ajoelhando-me e colocando desajeitadamente as palmas das mãos contra o chão, evitando assim embater duramente com a minha face no solo, que apesar de ser de terra, se encontrava seco e duro como uma pedra de calçada. A luz começou a baloiçar sobre mim, ou então era eu que baloiçava e não sentia, enquanto as lágrimas pareciam fios de água de uma torneira mal fechada. Nesta altura M perguntou numa voz que se distorcia em ecos graves e lentos. - Onde está o teu corpo agora F? Onde está o teu amor, a tua certeza? - O seu sorriso alargou-se e no silêncio que se vinha impondo lentamente, os meus olhos fecharam-se e os meus braços cederam sobre um pequeno riso crescente.
- Morre agora meu querido! - Pensei ouvir dizer antes de cair violentamente no chão!
domingo, 14 de outubro de 2012
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