segunda-feira, 11 de junho de 2007

Encontro a dois...

Ele, pegou-lhe a mão e apertou-a na sua. Não lhe apetecia dizer nada, apetecia-lhe andar. Ela deixou-se tomar, submissa. Esperava algo mais do que a mão. Esperava uma promessa, um momento de doce melancolia seguido por outro de paixão contida.
Há muitos anos atrás, tinha ouvido a sua avó falar naquele amor romântico que arrebata o coração e o desfaz em mil pedaços. Ouviu, contado por uma voz rouca e gasta, mas cheia de promessa, de um misto de dor e alegria. Ouviu de peito aberto, de alma sentida, de boca aberta e de lágrimas penosamente contidas. Ouviu e guardou-o, como quem guarda o que mais de precioso tem. Guardou-o dentro dela, onde ninguém o pode ver. Onde ninguém o encontraria,… “Talvez ele o encontre!”.

A noite cheirava a desejo, cheirava a liberdade. Era uma noite, igual a tantas outras que passaram, mas a noite chamava. Chamava como a prostituta da montra, que em trajes menores dança para o trausente que passa e disfarça um certo pudor, mas ao mesmo tempo não consegue desviar um olhar.

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