terça-feira, 12 de abril de 2011

Sobre Arte... ou não!?

"O que há a dizer sobre arte?" Talvez não seja a pergunta mais adequada. A objectividade não tem necessáriamente de existir, nem sob uma forma interpretativa com bases psicológicas, psicanaliticas, nem sob um prisma biográfico, social, político, etc... do autor. Afinal a deusificação do homem da obra relega sempre a mesma para segundo lugar, quando de facto o essencial talvez fosse, que objecto se suspende-se do autor. Talvez conseguíssemos dizer, que o autor acabou para obra e que para esta, aquela coisa (o autor) perdeu-lhe o significado e a importância, algures no momento em que pousou o pincel e o óleo na tela secou. No fenómeno efémero de uma criação, parece existir um aspecto banalizador. Isto é, o homem só porque criou, não deixa de beber vinho até à embriaguez, de comer até saciar a sua gula, de jogar às cartas com os amigos, de ouvir as anedotas mais porcas e de se rir delas, de ir à casa de banho urinar e defecar, de chorar quando se sente triste e de foder. A espiritualidade na Arte parece existir até ao momento da sua confecção. Após, resta apenas o registo... e um homem.

Gustavo


Francis Bacon, Três estudos para figuras na base de uma crucificação, 1944.

Ref.: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/1/11/Three_Studies_for_Figures_at_the_Base_of_a_Crucifixion.jpg

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